Alto valor, tendência de lesões de joelho, incerteza psicológica e necessidade de mudança de esquema tornam movimento uma temeridade
O Athletico já deveria ter desistido da contratação de Edwuin Cetré. Não apenas pela extensão da novela, mas por que mesmo que o colombiano aterrisse pela segunda vez no aeroporto Afonso Pena, não seria bom negócio para o clube. Incertezas físicas e psicológicas se somam a alto valor para resultar em má contratação.
O sonho do “plano A+” de Odair Hellmann para o ataque ainda não terminou pois após a reprovação de Cetré nos exames médicos em duas oportunidades, o Furacão segue em tratativas para convencer o Estudiantes-ARG a liberar o ponta por um valor menor. Fontes divergem em altos valores que variam dos US$3 milhões (R$15,6M) aos US$5.5 milhões (R$28,6M).
Fato é que, mesmo que pela metade, o valor ainda é alto para o contexo. O Furacão tenta colocar garantias físicas de, por exemplo, comprar porcentagem maior dos direitos econômicos do jogador caso Cetré complete seis meses sem lesões no joelho. É um risco muito grande, uma vez provada em testes clínicos a tendência (não apenas a possibilidade) de que o jogador tenha lesões que poderiam aguardar seis meses, mas ainda assim tenderiam a acontecer.
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As garantias físicas, na prática, não existem. Nem as mentais, uma vez admitido pelo técnico “Pincha” Eduardo Dominguez, em entrevista coletiva, que Cetré vive bons e maus dias desde as reprovações em Athletico e Boca Juniors. Soma-se a isso o contexo de adaptação que o colombiano viveria à intensidade futebol brasileiro, à cultura paranaense, aos costumes, à nova moradia, à culinária e outros milhões de fatores presentes no ajuste de um jogador que chega de fora. Leva tempo, via de regra.
A parte técnica também estaria em risco, não só por ser ligada ao físico. Cetré atua como um ponta esquerda de corredor no Estudiantes, numa base de um 4-2-3-1, função que não existe no esquema utilizado por Hellmann. Para o incluir, no 3-2-5 habitual do Papito, Cetré faria a função do meia-esquerda Julimar – e perderia com isso o um contra um, melhor parte de seu jogo – ou disputaria a ala-esquerda com Léo Derik e teria que ser comprometido a acompanhar o extremo adversário até a própria linha de fundo.
O esquema poderia ser adaptado, mas ao custo de interromper a evolução de um padrão tático existente desde a chegada de Odair Hellmann, há nove meses.
Não se pode, hoje, dizer que Cetré será jogador do Athletico. Ou que negociação se resolverá rápido. Também não se pode garantir que o ponta-esquerda mostraria grande nível, como em qualquer contratação. O que se pode fazer é projetar e, nesta coluna publicada na quarta-feira (18 de fevereiro), a projeção para uma chegada de Cetré ao Athletico é negativa.
*O texto acima é opinativo e não reflete, necessariamente, o posicionamento da Trétis TV