A quarentena de Dorival Júnior

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As questões a serem pensadas pelo treinador no momento da paralisação

Assim como quase todo o futebol mundial, o Athletico parou. Sendo assim, uma rotina de treinamentos, com testes e variações em campo, não será possível. Entretanto, no momento em que todos estão em casa, Dorival Júnior deve estar pensando no início de temporada e planejando o que será aplicado quando o time voltar.

 

É bom dizer que, a princípio, o trabalho do novo treinador traz diversas virtudes, como a pressão bem coordenada na bola e, em termos práticos, o bom timing em alterações e a coerência no momento da escalação. Mas, é claro, pontos ainda incomodam, e, nesse sentido, a quarentena pode ser positiva para a cabeça do professor. O que será repensado?

 

Situação dos laterais

 

 

Como já pudemos perceber, os laterais de Dorival atacam pelo centro enquanto os pontas abrem o campo e atraem a marcação. Pensando nas peças, Adriano parece bem adaptado. O jogador tem gerado muito jogo pelo lado direito, oferecendo imprevisibilidade e dificultando o trabalho da marcação. Sua área de ataque tem variado e é comum vê-lo acelerando as jogadas do time. E tudo isso tem pego um pouco mal para Márcio Azevedo.

 

Sem a mesma facilidade, Azevedo ainda não conseguiu trabalhar dentro do esquema. Para atrapalhar, já foram dois erros defensivos nesse começo de ano, indo contra o bom desempenho de 2019. Pensando em substituições, é mais claro trazer o nome de Abner, por todo o investimento e qualidade que demonstrou na Ponte.

 

 

Adriano vive bom momento com a camisa do Athletico

 

Seu jogo, no entanto, parece fluir mais atacando grudado na linha lateral, bem aberto. Porém, ele ainda não demonstrou desempenho constante (muito pela falta de oportunidades com Tiago Nunes, é claro) atuando em seu lugar confortável. Colocá-lo no time em uma função um pouco diferente pode atrapalhar ainda mais as coisas para os jovens.

 

O mais certo seria levar Adriano para o lado esquerdo e tentar Jonathan, que é extremamente técnico e tem facilidade em gerar jogo pelo centro. O problema, evidentemente, é que nenhum desses dois jogadores é confiável fisicamente. Em algum momento ficaremos na mão. Khellven, a outra opção, não vem em bom momento e tem uma característica de jogo similar de de Abner, ainda que mais adaptado ao clube e com ótimas atuações no currículo.

 

No momento, para manter a lógica de Dorival, estaríamos bem com Jonathan e Adriano. Eles não jogarão sempre, e a reposição vai contra a lógica. Bom ponto para repensar. Considerando tudo isso, Márcio Azevedo está sim nos planos e seguirá jogando. É fundamental dar confiança e não ter memória curta.

 

Quem joga no meio?

 

Wellington, Erick e Cittadini são ótimos jogadores. Mas, talvez, não devam jogar juntos. E é importante olhar para as características de cada um.

 

Wellington tem forte marcação e, desde que chegou, melhorou bastante tecnicamente. Liderança, bom preenchimento de espaços e bom físico entram na análise. Erick tem explosão física, chega bem na área e é rápido. Cumpre papel na marcação. Já Cittadini é o mais controlador, mantém a posse, sabe infiltrar e não deixa a desejar fisicamente. Os três, no entanto, tem algo em comum: não são criativos.

 

Talvez seja razoável escolher dois entre os três. E qualquer dupla, nesse caso, é boa (ainda temos um ótimo Christian surgindo). Sair do 4-1-4-1 e tentar o 4-2-3-1 ou 4-4-2, com um jogador que ofereça maior imprevisibilidade na lógica ofensiva. A briga seria entre Marquinhos Gabriel, Canesin e Pedrinho para atuarem próximos a Bissoli. Ainda não vimos o suficiente para bater martelo com qualquer um deles, mas algo me diz que a torcida está louca para ver Pedrinho em campo mais vezes.

 

 

Foto: Athletico

 

Pontas

 

Apesar de muito desespero com Carlos Eduardo, é o momento de ter calma. Seu péssimo jogo contra o Colo Colo não apaga sua participação ativa contra o Peñarol e as boas performances nos amistosos da Argentina. Parece claro que não é o momento de uma defesa mais elaborada nem de críticas ou perseguição descabida. Deixa jogar. No mais, temos Nikão, que compreende bem todo o jogo e está em outro patamar. Só precisa parar de isolar bolas. Jajá é o nome do momento, porém cravar como titular ainda parece tolo.

 

Bissoli ou Pedrinho? Ou Bissoli e Pedrinho?

 

No momento, a única preocupação quanto a Bissoli parece ser, realmente, o seu contrato curto. É a grande surpresa da temporada, muito pela técnica, percepção de espaços e boa atitude em campo, mas principalmente pelo seu físico, que segura a marcação e permite bom cabeceio. Tudo isso sem ser um jogador lento. Estamos tranquilos com ele. Quando a Pedrinho na função de atacante, essa ideia parece mais acessível em uma dupla de ataque, já que o jogador aparenta ter vocação e posicionamento de segundo atacante.

 

 

(Photo by Buda Mendes/Getty Images)

 

 

De qualquer forma, mesmo com todas essas sugestões e possibilidades, não há motivos para achar que o Athletico não pode fazer um bom ano. Temos muito material em mãos. Por fim, o pitaco final: Santos, Adriano, Robson Bambu, Thiago Heleno e Márcio Azevedo; Nikão, Wellington, Cittadini e Carlos Eduardo; Pedrinho e Bissoli.

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