A taça Athletiba

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A oitava final em 2 anos e 3 meses. Um novo grupo. Uma nova história.

Athletiba é o clássico mais importante desta terra. É o jogo que mexe com as emoções mais intrínsecas da rivalidade existente na “aldeia”, como diz aquele vanguardista. É a rivalidade que cega, que deixa o torcedor atordoado, que machuca quando se perde, mas que alucina quando se triunfa. É um jogo totalmente desprovido de lógica. Não existe probabilidade que mostre que o melhor vencerá. É o jogo do imponderável, do detalhe, do perna de pau que vira ídolo de uma torcida carente por ter marcado o gol da vitória. Essa falta de previsibilidade me incomoda. O futebol por si só tem trocentas variáveis, mas o Athletiba arrebenta com qualquer modelo matemático.

 

Ser torcedor é estar sempre com sensação de que joga junto e que pode mudar resultado, mesmo sabendo que quem faz as coisas acontecerem são os 11 em campo. Isso sempre me incomodou em Athletibas, porque historicamente os Reis da B dão a vida neste clássico. E não estão errados. Sempre me irritei muito com grupos do Athletico sem alma e sem fome de vencer, entrando em campo como se tivessem em um rachão, dando chance para o azar e por diversas vezes sofrendo o merecido castigo. Pior, perdendo para times sofríveis cheios de ídolos do nível de Geraldo, Kazim, Bill e outros da prateleira de melhores da história do rival.

 

O Athletico vive um momento de transição histórica com participação ativa na reorganização da ordem do futebol nacional. O clube já reivindica um lugar na mesa principal do jantar, provavelmente naquela onde há ricos falidos que não terão como pagar a conta. O rival mal tem condições de comer um dog na esquina, mas grita pelas ruas que é rico, que é bem-sucedido, que mora em uma mansão com lindo pôr do sol e que manda na cidade. Comovente. Fato é que a manutenção da superioridade tem que acontecer regularmente. A disparidade tem que estar cada vez mais evidente para que o lunático gritando pela rua que é gigante fique cada vez mais patético. O processo já acontece. Não fosse o salto alto de poupar jogadores na final de 2017 poderíamos estar indo buscar o penta campeonato na próxima semana. São lições aprendidas.

 

O Athletico entra em campo no domingo com uma das melhores estruturas do país, com um superávit absurdo, com taças de Campeão Brasileiro, da Copa do Brasil, da Sulamericana, Levain Cup, 7 Libertadores no currículo e a marca valorizada e reconhecida no Brasil e na América. Mas mais importante do que tudo isso, entra em campo com um grupo vencedor. Um grupo de caras que sabem o gosto de vencer, de serem campeões, de comemorar título, de serem ídolos do maior clube dessa terra.

Os caras que vão estar em campo domingo na Baixada já venceram batalhas épicas contra as mais poderosas camisas do continente.

Esses caras sabem muito bem a importância que uma final tem para o clube e para o a continuidade do trabalho desse grupo de jogadores. Nikão, Thiago Heleno, Wellington, Santos, Jonathan, Lucho, Cittadini e outros sabem muito bem que Athletiba você vence de qualquer jeito, ainda mais valendo caneco. Porque apesar do processo semi falimentar do rival, quem estará do outro lado campo não é somente um frequentador assíduo das divisões inferiores do futebol do Brasil, mas sim um rival histórico que só tem um troféu para disputar no ano: A taça Athletiba. Vencer o Athletico é a única chance de alegria no ano para a sofrida torcida rival e oportunidade de calmaria para diretoria e comissão técnica.

 

O processo continua. A afirmação deve ser continua. A boa fase e merecida superioridade desportiva e administrativa tem que entrar em campo e isso só acontecerá com concentração e dedicação máxima de cada jogador. Um novo grupo, uma nova história, mais uma disputa de taça. A oitava final em 2 anos e 3 meses. É final de Copa do Mundo contra os “sempre favoritos” como muitos deles já estão se auto intitulando.

 

Não há padrão em Athletibas, mas acredito em atitude. Atitude e vontade de vencer levantam troféu. A gente sabe muito bem disso. Não posso esperar qualquer atitude diferente do que uma postura vencedora de caras campeoníssimos. Os meninos já fizeram a parte deles em 2018/2019. Agora é novamente hora de tirar do rival a única possibilidade de título daquelas bandas: Vencer o Athletico.

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