Athletico x Internacional: Uma batalha de xadrez

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Clubes possuem a mesma característica: letais em casa, mas com dificuldades fora

“Sem meu tapetinho não consigo”. A maioria dos torcedores rubro-negros provavelmente já ouviu esta frase em algum momento. Athletico e Internacional fazem, nesta quarta-feira (11), o primeiro duelo da grande final da Copa do Brasil, na Arena da Baixada. Mas, assim como a representação cômica sobre o aproveitamento do Furacão fora de casa, o adversário gaúcho também possui o mesmo problema com estes confrontos.

 

Dos clubes da série A, os dois são inseridos entre os mais “caseiros”. No contexto geral da temporada, fora de seus domínios (considerando apenas campeonatos nacionais e internacionais), os times possuem um aproveitamento semelhante. Enquanto o Athletico tem 12 derrotas, quatro empates e três vitórias; o Inter vem para a final com 10 derrotas, dois empates e seis vitórias. Vale ressaltar, no entanto, as polêmicas de arbitragem cometidas em jogos do Furacão contra Boca Juniors (pela Libertadores), Botafogo e Santos, o que tornaria as campanhas ainda mais semelhantes se não houvessem erros nas partidas.

 

O aproveitamento dos colorados longe do Beira-Rio é inferior ao do Athletico, no que se refere ao Brasileirão. De acordo com o site especializado em estatísticas SofaScore, o Inter ficaria em 18° no campeonato, com a mesma pontuação do lanterna, se comparado aos 20 clubes que disputam a Série A. O Furacão ocuparia a 10ª colocação. 

 

Ainda com as informações expostas e a semelhança dos finalistas, nota-se a maior contestação ao rubro-negro, tendo o “fator gramado” como diferencial competitivo. A narrativa do piso artificial athleticano alcançou maior destaque no cenário brasileiro a partir das fases finais da Copa Sul-Americana, em 2018, em razão do bom aproveitamento na Arena da Baixada e a diferença negativa nos jogos fora. Ocorre, porém, que não há comprovações acerca do gramado como um diferencial competitivo: ao mesmo tempo em que é criticado, é elogiado por clubes como River Plate

 

A final entre rubro-negros e colorados tem todos os ingredientes para dois grandes jogos, travados por um duelo tático de muita inteligência: um jogo de xadrez. A tendência é que a equipe que se sair melhor taticamente e souber aproveitar as chances em sua casa, saia campeã. 

 

Para o Furacão, uma nova oportunidade de conquistar um título em mata-mata: todas as principais campanhas do século 21 são em campeonatos nestas modalidades. O título do Campeonato Brasileiro, a final da Libertadores, Final da Copa do Brasil em 2013, título da Sul-Americana e, agora, a segunda final do torneio nacional.

 

Pode-se dizer que Athletico e Inter fazem um duelo de times extremamente perigosos em seus territórios. Em Curitiba, portanto, o Furacão precisa mostrar seu poder de fogo. A casa rubro-negra já provou ser fator de desequilíbrio durante a história e, neste momento, a narrativa do gramado artificial se fragiliza. A torcida – quase à beira do gramado – fortalece o Athletico e, parafraseando a conhecida declaração do lateral Léo Moura sobre a Baixada, “É complicado. Parece que a torcida vai entrar dentro do campo”.

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