Atletiba pode acontecer de portões fechados

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Após descumprimento da decisão da liminar pelo Athletico, Procuradoria do TJD pede para que o clássico não tenha nenhuma das torcidas

O Athletico tinha até às 12h dessa terça-feira (29) para cumprir a decisão da liminar do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), mas decidiu ignorar e não colocar à venda os ingressos para a torcida visitante, em setor separado, para o Atletiba dessa quarta-feira (30). O descumprimento teve resposta do Coritiba, que solicitou ao Tribunal a interdição da Arena da Baixada, aplicação do WO e suspensão do presidente rubro-negro, Luiz Sallim Emed, e do vice Marcio Lara, nomes citados na decisão por estarem no ofício enviado pelo Furacão ao rival. A Procuradoria também entrou com pedido, mas para que o clássico não tenha a presença de nenhuma das torcidas e ocorra de portões fechados.

 

 

O caso virou uma verdadeira guerra judicial, já que o Athletico publicou em seu site uma nota oficial do Ministério Público, onde cita 10 tópicos para a defesa do projeto “Torcida Única” e diz que o TJD não faz parte do Poder Judiciário nem possui vinculação com o Estado. Em resposta ao que foi dito na nota, o procurador do TJD, Henrique Cardoso, afirmou que o objetivo do pedido feito pela Procuradoria é de garantir o cumprimento dos regulamentos geral e específico do Campeonato Paranaense 2019, em que determina que o clube mandante da partida deve ser responsável pela segurança dos profissionais, autoridades e todos envolvidos na realização da partida, como previsto pelo Estatuto de Defesa do Torcedor na Lei nº 10.671/2003.

 

O procurador ainda lembrou que o Poder Judiciário não pode intervir na Justiça Desportiva por força constitucional, enquanto o problema não for até a última instância. “Uma intervenção neste momento resultaria até mesmo no perigo de desfiliação dos envolvidos. Cabe ressaltar que Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a FIFA vetam o ajuizamento dessas ações na justiça comum, podendo em caso de isto acontecer, não só o clube praticante deste ato, como também a federação nacional envolvida, serem punidas pela FIFA”, explicou.

 

Sobre a “Torcida Única”, Cardoso cita a ata da reunião realizada pelo MP, em que o projeto é apenas uma sugestão, não tendo força de lei e, sendo assim, optativa. Ele ainda declara que, com uma participação reduzida de entes ligados ao futebol e com torcedores sendo obrigados a conviver nas arquibancadas, dificilmente a violência irá diminuir e, ainda, afasta o público dos estádios. “Diluir torcedores adversários em jogos em geral torna-se deveras perigoso, o que ganha ainda maior vulto no caso de um clássico como o Atletiba. O que ocorre, ao final, é que sob o pretexto de “humanizar” torcedores, eles acabam por não poder se expressar, poder usar a camisa de seu time, por medo da reação de seu vizinho de cadeira, traduzindo-se num estranho humanismo proibitivo e resulta na desistência do espectador ‘pagar para ver’ dentro do estádio”, finaliza.

 

 

A decisão está nas mãos do presidente do TJD, Adelson Batista, que deferiu o pedido da Procuradoria e pediu para que Sallim fosse intimado até às 21h. O Athletico continuou a não cumprir a liminar e não iniciou as vendas dos ingressos. O clássico pode acontecer sem torcida, mas a decisão do Tribunal só será divulgada nessa quarta.

 

Batista também intimou a Federação Paranaense de Futebol (FPF) para se manifestar, até às 13h30, sobre possíveis mudanças de local, data e procedimentos da partida caso haja qualquer mudança. A Federação protocolou um posicionamento dizendo que não há a possibilidade nem de interdição de estádio, nem portões fechados e muito menos o WO, de acordo com o regulamento da competição. A punição cabível seria, então, de uma multa.

 

Mais informações em breve.

 

 

 

 

 

 

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