Camacho pode ser titular?

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Importante para Tiago Nunes na atual temporada, o volante ainda é bastante questionado pela torcida

Na partida diante do Jorge Wilstermann, o jogador que mais participou e esteve envolvido nas ações do Athletico não foi Renan Lodi, Tomás Andrade, Nikão ou Bruno Guimarães, mesmo que todos tenham feito tido atuações praticamente perfeitas. Jogando naquela que ainda é considerada uma “vaga em aberto”, Camacho distribuiu 92 passes (com 96% de acerto), tentou cinco lançamentos (concluindo todos), e ainda contribuiu com uma assistência.

 

Sua concorrência para a temporada parece ser com Lucho González e Wellington. Inclusive, Camacho provavelmente só começou o ano entre os onze pelo fato de Lucho não estar disponível para a estreia contra o Tolima e por não ter participado dos testes contra os times paraguaios na Arena da Baixada. Mas é justo que Lucho volte como titular quando tiver condições de completar uma partida?

 

Como todos sabem, Tiago Nunes tem apostado em um esquema diferente para a temporada, muito por conta das características dos jogadores que tem no elenco e por não ter contratado um substituto que se assemelhasse a Raphael Veiga. No 4-1-4-1, os interiores, que nesse momento são Bruno Guimarães e Tomás Andrade, tem liberdade para transitar, apoiar os lados e realizar infiltrações. Porém, é claro, precisam do apoio de um jogador que ajuda no processo de construção de jogadas, visto que eles constantemente se lançam ao ataque.

 

Analisando os passes completos de Tomás e Bruno no jogo de ontem (47 e 57, respectivamente), temos uma ideia da importância de Camacho para Tiago Nunes, visto que, após somar a participação de seus dois companheiros de meio, dá pra entender a titularidade conquistada recentemente (104 para a dupla e 92 para Camacho). É uma espécie de ponto de equilíbrio para o meio-campo.

 

É claro que passes podem ser apenas passes, mas, no caso de Camacho, podemos observar um jogador com facilidade para romper linhas adversárias e clarear as jogadas do Furacão, abrindo possibilidades. Também não é um jogador desvairado, que se arrisca sem motivos ou tenta realizar movimentos difíceis com frequência. Pelo contrário: costuma ser um grande aliado das peças mais tecnicamente talentosas do plano ofensivo e parece ter consciência disso.

 

Com o retorno de Lucho, é difícil imaginar, ao menos considerando sua passagem pelo Athletico, que ele possa colaborar tanto quanto Camacho no sentido de construção de jogadas. Como já pudemos reparar, Lucho participa menos, e acaba sendo um trunfo nas disputas físicas, na marcação, na liderança/força mental e também com aparições nas proximidades da área. Sendo assim, é de se acreditar que sua concorrência, em um 4-1-4-1, seja na verdade com Bruno, Tomás, Cittadini e outros, mais ofensivos. Foi difícil entender o motivo que fez Camacho “sumir” no ano passado quando Tiago Nunes chegou, visto que nunca havia comprometido. Porém, ele voltou, e aparentemente pode ser muito importante. Na verdade, já está sendo.

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