Dia da Mulher: conheça atleticanas (de alma e coração)

Compartilhe

Mulheres que vivem o Athletico, desde sempre e para sempre

Eu poderia começar esse texto direto com as histórias das atleticanas. Mas, é impossível não citar o clichê mais verdadeiro do mundo: “lugar de mulher é onde ela quiser”. Também é preciso falar sobre o movimento #DeixaElaTorcer, que arrasta milhares de mulheres (e homens!) que sabem que nós, mulheres, temos direito de ir e vir, sem sermos incomodadas dentro dos estádios Brasil afora. Dados também são importantes neste texto: um levantamento entre clubes brasileiros mostra que entre os sócios, a média de mulheres é apenas 13% do quadro – baixo para um país onde somos “livres” (apesar do machismo que impera dentro dos centros esportivos). Na Arábia Saudita, por exemplo, elas puderam entrar e assistir uma partida de futebol apenas no ano passado. Janeiro de 2018. E ainda em um lugar específico para as “famílias” – o Governo emitiu uma nota falando que apenas três estádios foram adaptados para que elas pudessem adentrar: o Rei Fahd, na capital, o Rei Abdullah, em Jeda, e o Príncipe Mohamed Bin Fahd, em Dammam. Um pouco surreal pensar nisso, não é mesmo?

 

Neste domingo (10), o Estádio Joaquim Américo estará repleto de torcedoras. Torcedoras apaixonadas, vibrantes, que gritam, xingam e vivem o Athletico com seu maior amor. Torcedoras que podem ter nascido em famílias de co-irmãos, Coritiba e Paraná, mas que se apaixonaram pelo vermelho e preto; torcedoras que podem ter sido cativadas por mães, tias e avós; Torcedoras que podiam nem saber o que era futebol, mas quando passaram na frente da Baixada, perceberam que aquilo as fazia vibrar de maneira completamente diferente. Algumas foram pela primeira vez ao estádio com suas mães, avós, tias; outras com seus pais, tios, namorados, maridos; outras foram (e continuam indo) sozinhas – sozinhas não, porque é ali que encontram mais milhares de outras mulheres que sentem e vivem o mesmo sentimento.

 

Conheça algumas atleticanas e suas histórias no tretis.com.br e confira a TretisTV desta segunda, que será especial do Dia da Mulher.

 

IRMÃS UNIDAS

Sentimento compartilhado pelas irmãs Sampaio. De acordo com Elvira Sampaio, desde pequenas, as meninas iam à Velha Baixada com seu pai, atleticano fanático. “Entrávamos com os jogadores e tínhamos almofadas do clube e bandeiras feitas por minha mãe. Vimos coisas muito engraçadas, como o menino que fez xixi pelo vão da cerca do campo e acertou um jornalista; a baiana da cocada que passada com o tabuleiro; meu pai que jogava casquinhas de amendoim no povo que estava na frente… Enfim, época do dito ‘futebol raiz'”, relembra. “A bandeira daquela época nos acompanha até hoje. Fica estendida na mureta atrás das nossas cadeiras”, conta.

 

As irmãs Sampaio | Foto: Arquivo Pessoal

 

PARCERIA NETA-AVÓ

E quando somos inspiradas por nossas avós? Essa é a história de Duda Bendlin. “Fui inspirada a amar e viver futebol com minha avó, que já foi presidente de um time e me ensinou a amar o esporte como minha própria vida”, comenta. Segundo ela, as duas são muito companheiras: tanto de jogos como de viagens. “Estamos sempre as duas. Já sofremos um certo julgamento dentro de nossa família, pelo nosso amor ao time. Mas nada supera as histórias que podemos contar. Aliás, a que mais me emociona e que eu guardo na memória, e é recente, foi a gente realizando nosso sonho juntas, que era de conhecer o Maracanã”, afirma.

 

Duda e a avó, no Maracanã | Foto: Arquivo Pessoal

 

AS MULHERES DA FAMÍLIA

Na casa de Giovanna Borgo, a história de gerações é a mais pura verdade. O amor pelo Athletico passa por todas as mulheres da família – Leila, Sirlei e Tania acompanham-na nos jogos. “Eu, além de atleticana, jogo futsal. Já escutei muito que sou maria chuteira e outros absurdos. Mas quando somos incentivadas por mulheres a gostar de futebol, você acaba relevando”, afirma. “Eu vou no jogo porque eu gosto. Se não tem ninguém para ir comigo, eu vou sozinha”, revela. Giovanna e suas tias vivem o Athletico, estão em todos os jogos e sempre assistem um deles no Rio de Janeiro.

 

Giovanna e as tias no Maracanã | Foto: Arquivo Pessoal

 

DE MÃE PARA FILHA

Ter a mãe como incentivadora a amar futebol é a história de duas atleticanas: Belisa Furquim e Gabriela Carbonar. “Quem me fez atleticana e me levou para o estádio pela primeira vez foi a minha mãe. Quando eu era criança, ficava com ela na TOF e tudo… até hoje, sempre que posso, levo ela como meu amuleto da sorte. E estamos passando para as próximas gerações nosso amor. Minha sobrinha, de 13 anos, já está na mesma pegada, já fanática. Vibrou o jogo INTEIRO da final da Sula. É de arrepiar o Atleticanismo das mulheres da minha família”, comenta Belisa. Gabriela também fala que o amor é materno. “Minha mãe é atleticana desde sempre e me ensinou a cantar o hino desde que eu aprendi a falar. Fez minha festa de aniversário, em 2001, com um telão para comemorar meu aniversário e nosso título. Vou ao estádio todo santo jogo, sem falta, junto com ela”, salienta. 

 

Belisa e a mãe | Foto: Arquivo Pessoal

 

Gabriela e sua mãe | Foto: Arquivo Pessoal

 

FAMÍLIAS DE CO-IRMÃOS

Vir de uma família de coxas-brancas e paranistas não é algo tão difícil assim. Se você perguntar dentro da Baixada, encontrará várias histórias parecidas com as de Luana Sell. “Sou de uma família metade coxa-branca e metade paranista. Não há um atleticano sequer. Quando era pequenininha (4 a 6 anos), meu pai me vestia com uniformes do Paraná Clube e me levava ao estádio com ele. Sempre gostei de futebol, fazia parte do time de futsal da escola, mas acompanhava despretensiosamente através dos comentários do meu pai mesmo”, relembra. De acordo com ela, em 2003, conheceu “a mulher mais apaixonada pelo Athletico que vi até hoje”. “A Ana Letícia entrou na escola que eu estudava e logo ficamos amigas. Quando passei a frequentar a casa dela, conheci a mãe… A qual posso denominar como segunda atleticana mais apaixonada que conheço. As duas sempre foram juntas ao estádio e não perdem um jogo. Um ano depois que as conheci, ouvindo ela falar sobre o Athletico diariamente, fui com elas à Arena pela primeira vez. A partir daí, descobri de fato o que era torcer e se identificar com um time”, conta e continua: “como era menor de idade, fui com minha mãe até a Arena para fazer meu sócio. Passei a ir com a Ana Letícia e a mãe dela aos jogos. Às vezes alguns amigos também nos acompanhavam. Até que, com a chegada da faculdade (2009), acabamos nos afastando um pouco e deixei de ir com elas e acabava indo sozinha aos jogos – durante todo esse período até hoje, cancelei o sócio por um ano e voltei”, lembra.

 

Mas foi em 2016 que as coisas mudaram para Luana. “No início de 2016, conheci um torcedor do Athletico na academia. Viramos super amigos e ao descobrir que eu ia sozinha aos jogos, ele deu a ideia de trocar minha cadeira para perto da dele, onde tem uma turma de umas 10 pessoas unidas pelo Furacão. Mudei a cadeira e passei a assistir aos jogos com eles. Foi aí que acabei conhecendo meu namorado – ficamos a primeira vez na Oktoberfest realizada na Baixada naquele ano. Desde então, vamos a todos os jogos juntos e fizemos novos amigos no Athletico que tenho certeza que levaremos pra vida toda”, afirma.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

TROCAR BAILE DE FORMATURA PELO ATHLETICO?

Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou em se formar e dançar com aqueles vestidos de festa… Mas, há quem troque um baile de formatura pelo Furacão. Kamile Goslar estava no 3º ano do ensino médio e trocou a formatura por ir aos jogos do CAP. “Meu pai, já mais velho, não queria me levar nos jogos nunca. Aí eu pedi pra usar o dinheiro da formatura pra ir em jogos. Resultado: fui em uns cinco, vencemos todos –  porque isso foi bem em 2013 que o Athletico tava voando”, conta rindo.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

IR AOS JOGOS SOZINHA

A primeira vez que Lais Mocelin foi ao estádio foi sozinha. “O meu primeiro jogo foi aquele Atletiba que não teve. Eu lembro que aquele dia eu acordei muito animada, pois já acompanhava o Athletico pela TV. Depois que remarcaram o jogo, e ganhamos, a sensação foi maravilhosa, uma energia muito boa, tanto que depois daquele dia fiz meu sócio e não parei mais! Só que a sensação do primeiro jogo a gente nunca esquece né? Eu tinha certeza que a gente ia ganhar, e foi um jogo muito bom, eu lembro que voltei pra casa me sentindo muito bem”, conta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

EU TE SIGO EM TODA PARTE

 

Foi na infância que Kelly Barbosa decidiu ser atleticana. “Quando eu era criança, tinha uns quatro anos, eu decidi ser atleticana vendo a camisa da torcida Os Fanáticos. Minha família é dividida entre gremistas e colorados e e eu era bem “roqueira”, aí vi a caveira e pronto: ‘quero ser atleticana pai'”, comenta. De acordo com ela, depois desse dia, o amor pelo clube foi só aumentando. “Em 2014, assisti meu primeiro jogo. Eu era nova, ai assisti na área VIP e não entendia absolutamente nada de futebol. Comecei a gritar e passei o jogo inteiro achando que o Athletico era o Flamengo. Elogiava os jogadores do rubro-negro carioca e xingava os do Furacão e povo ficava me olhando. Ainda bem que eu estava na área VIP, senão teria apanhado”, relembra rindo. “Foi aí que comecei a acompanhar mais os jogos, aprender sobre o time e cheguei ao ponto de fazer uma tatuagem. Eu moro muito longe da Arena, mas não perco nenhum jogo. Trabalho quase na divisa de Tijucas do Sul e sempre saio do trabalho e vou direto para a Baixada. O Furacão me proporcionou muitas coisas: desde amizades, as quais não largo nunca, até tretas – faz parte, né”, conta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

Veja também