Fragilidades de Guanaes são expostas no clássico

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Tendo muito espaço e campo para desenvolver suas ideias, Guanaes demonstrou pouca criatividade no Atletiba

Foi difícil assistir ao primeiro clássico de 2019. O duelo contra o Coritiba beirou o insuportável no que diz respeito a produção ofensiva e qualidade técnica, o que é preocupante, especialmente levando em conta que nosso elenco de aspirantes está longe de ser ruim. Individualmente, tendo boa vontade, é possível destacar alguns lampejos vindos do colombiano Anderson Plata, de Erick ou de Matheus Anjos, mas, no geral, tudo pareceu muito ruim no sentido de produção, de bom futebol.

 

E uma situação pontual que expôs algumas falhas mais evidentes foi a expulsão do volante João Vitor, do Coxa, ainda antes do final do primeiro tempo. Perdendo por dois a zero, Rafael Guanaes observou Argel Fucks recuar cada vez mais o seu time, abdicando da bola e tentando se organizar defensivamente para segurar o resultado. E respondeu de forma rasa, pouco criativa, sem imaginação.

 

Guanaes empilhou atacantes dentro da área, deixando a construção ofensiva em segundo plano. Em resumo, tivemos praticamente 3/4 da partida com um jogador a mais e um rival que não estava interessado em brigar pelo domínio da bola. Ainda assim, Wilson foi espectador durante a maior parte do jogo, e o gol do Athletico veio em um pênalti cobrado por Bergson.

 

Essas observações são relevantes principalmente considerando o objetivo do Campeonato Estadual para o Furacão. Tiago Nunes venceu o Paranaense, mas poderia não ter ganho. Se o nível do futebol apresentado não tivesse resultado em um título, ele ainda teria preparado ótimos jogadores que viriam a contribuir para o restante da temporada, após terem vivido uma experiência embasada no futebol propositivo, criativo, de boas ideias. Até porque, pensando no hoje, nosso título em 2018 não foi apenas o Paranaense.

 

O futebol mostrado pelos aspirantes nesse início de ano depende muito de bolas alçadas na área e do talento individual na tomada de decisão. E, tendo em vista que nossos laterais são Reginaldo e Nicolas e que não existe nenhum grande craque no setor ofensivo, enfrentamos um problema. É bom frisar que essa não é uma crítica voltada ao resultadismo, uma vez que, mesmo que o Athletico tivesse arrancado um empate ou conseguido uma virada contra o Coritiba, a atuação continuaria sendo fraquíssima.

 

Guanaes tem mostrado o contrário do que vimos no trabalho de Tiago Nunes. Porém, talvez estejamos mal acostumados, visto que técnicos do calibre de Tiago não aparecem toda hora. Então vamos trazer para um exemplo mais “real”: Marcão, que teve sua trajetória ressaltada por aqui, seria o oposto de Guanaes. Mesmo com suas falhas ainda evidentes, o treinador das categorias de base mostra a vontade de trabalhar ideias diferentes, que emulam um modelo de jogo que buscamos. Não é o momento de jogar Guanaes fora, mesmo que o início não pareça promissor. Esperamos que o futebol apresentado nas próximas semanas seja uma boa resposta ao fraco início de Estadual. Caso isso não aconteça, é hora de buscar novas possibilidades. O Paranaense não é exatamente pelo título, e sim pela preparação. De nada adianta, para nós, vitórias suadas sem um pingo de engenhosidade.

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