Jonathan, o ídolo silencioso

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Dois anos marcantes de um dos melhores laterais direitos da história do clube

Há pouco mais de um mês, o Athletico vencia a Sul-Americana, naquela que foi uma das noites mais fantásticas da história do clube. Em meio a uma nervosa prorrogação, Tiago Nunes substituiu Pablo e Nikão. Ambos, embora esgotados fisicamente (assim como todos os outros que iniciaram a partida), pareciam mais “inteiros” do que nosso lateral-direito, que, além de tudo, já tinha cartão amarelo. O que Tiago estaria fazendo?

 

Antes de voltar para o dia da partida, é preciso relembrar o histórico de Jonathan. Jogador experiente, campeão da Libertadores, que colecionou ótimas passagens por grandes equipes durante a carreira, o lateral se manteve por alguns anos como um dos melhores da posição no país. É ídolo da torcida do Cruzeiro, clube pelo qual fez quase duzentos jogos. Depois da passagem por BH, foi para o Santos antes de embarcar para Itália, onde colaborou com Inter de Milão e Parma.

 

Depois de anos de muito vigor técnico e físico, Jonathan passou a ser maltratado por lesões, algo que impediu que sua carreira decolasse no auge, fazendo com que sua participação pela Inter tenha sido “menor” do que podia. Essa fase complicada também acabou frustrando o seu retorno ao Brasil, quando foi contratado pelo Fluminense em 2015.

 

Jonathan chegou ao Athletico para a temporada de 2017, já com 30 anos, sob muita desconfiança. Léo, titular na época, vinha de um bom 2016, o que fez com que a contratação fosse bastante questionada, especialmente por se tratar de um jogador que havia feito menos de trinta jogos nos dois anos anteriores. Valia a pena?

 

Jonathan em ação na final da Sul-Americana (Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP)

 

O Furacão pareceu entender bem a situação do atleta, utilizando de sua boa estrutura de recuperação para prepará-lo para a temporada. Nesse sentido, precisamos enaltecer o posicionamento do clube em não utilizar o time principal no Estadual, mesmo que 2017 tenha começado “cedo” por conta da Libertadores.

 

Vieram os primeiros jogos, e Autuori apostou no novo reforço como titular, o que frustou Léo, que consequentemente deixaria o clube. Sempre com semblante sério, sem reclamações e muito trabalho, Jonathan se tornou naturalmente um titular absoluto, e hoje podemos dizer que está fisicamente recuperado, apesar de, assim como qualquer atleta profissional, ter suas lesões. Nos últimos dois anos, fez 82 jogos, mesma quantidade de partidas que fez nos cinco anos anteriores da sua chegada ao Athletico.

 

Desde então, Jonathan manteve um nível técnico simplesmente absurdo, sendo, certamente, o melhor jogador da posição que passou por aqui em muito tempo. Nesse período, quase sempre entrou como titular, foi capitão algumas vezes e recentemente foi até padrinho de casamento de Nikão (rs).

 

No dia da decisão, Jonathan claramente não aguentava ficar em campo, mas provavelmente pediu para permanecer, uma vez que Tiago Nunes já havia o substituído algumas vezes, seja por Diego ou por Marcinho. Segurou as pontas para frear Luis Díaz, tentou chegar na linha de fundo da forma que podia e manteve o alto nível técnico que estamos acostumados. Abriu a disputa de pênaltis e certamente usou de sua liderança para motivar e dar apoio ao restante dos jogadores. É um dos novos ídolos, que misteriosamente acaba sendo menos exaltado do que algumas outras peças do elenco.

 

Passado o ano de 2018, Jonathan teve mais uma temporada como um dos grandes jogadores do elenco, e, inclusive, como um dos melhores laterais do Campeonato Brasileiro, mesmo que ele não tenha tido nenhuma menção nesse sentido nas premiações. Estamos falando de um jogador que entendeu o seu lugar desde que chegou, e demonstrou um grau de ambição raro para quem tem sua idade e sua carreira. Veio para contribuir, para liderar, para jogar futebol e, assim, entrou para a história do clube em pouquíssimo tempo. Desde sempre, foi um prazer ter você aqui, Jonathan.

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