Marcão tem o perfil ideal para a formação de atletas no Furacão

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Treinador, que atualmente comanda o time na Copa-SP, compartilha de virtudes e falhas de Fernando Diniz

Agradando ou não, o Athletico tem buscado, ao longo da atual década, uma identidade de jogo que integre suas categorias de formação com o futebol praticado pela equipe profissional. O processo que antecede a inserção de um atleta da base junto ao grupo principal é, na maioria das vezes, “calculado”, uma vez que o jogador, em um novo estágio da carreira, terá passado por um preparatório que evite que ele “caia de paraquedas” em um time que pratique algo diferente do que ele estava acostumado anteriormente.

 

Ontem, o Furacão se classificou com antecedência para a próxima fase da Copa-SP, após vencer o Comercial por três a zero. E o que mais chamou atenção (além do novo uniforme, evidentemente) foi a proposta do treinador Marcão, algo que já havia sido observado durante o ano passado com a categoria sub-20. Saída sustentada com o volante como terceiro zagueiro (estilo Tiago Nunes), laterais bem abertos para gerar profundidade e muitos passes trocados.

 

Esse é o conceito, ainda que a execução não seja exatamente ideal. O time tem dependido bastante da bola parada para levar perigo ao adversário, com um volume baixo de chances concretas criadas com a pelota rolando. A posse é, por muitas vezes, despropositada, apenas cercando a área. E a defesa também acaba decepcionando, ficando exposta com lances de contra-ataque, dependendo diretamente do desempenho individual dos jogadores da zaga. Essa questão ainda não foi observada de forma mais clara na Copinha, visto que os adversários foram pouco ameaçadores, mas não é preciso ir longe para encontrar essas falhas com o time da categoria sub-20, em 2018, com destaque para a final do Paranaense.

 

Ainda assim, precisamos nos recordar de uma questão importante, que não indica, exatamente, falta de ambição: as categorias de base existem puramente para a formação de atletas. Sim, é bom ganhar títulos e espalhar o legado da estrutura de formação do clube, nacional e internacionalmente, porém continua não sendo a prioridade. Se existe um período em que os jogadores podem errar e aprender com as falhas de forma mais virtuosa, sem serem fritados, é na base. Então, acima de tudo, é um espaço para que conceitos sejam testados. E Marcão, mesmo com os defeitos expostos, é a personificação do perfil que buscamos para nossos atletas. Assim como Fernando Diniz também era, porém, por comandar o principal, não teve suas falhas corrigidas ou perdoadas, sendo demitido (com razão).

 

O Athletico, inspirado especialmente por times europeus que criam uma “escola” dentro do próprio clube, traçou a meta de ser uma equipe de estilo propositivo dentro de campo. E essa meta é complicada, já teve falhas no meio do processo, e certamente continuará tendo. Entretanto, se por aí nos definem como ambiciosos ou até mesmo meio malucos, é fundamental ousar desde as categorias de base.

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