Marcelo e Tiago Nunes precisam “discutir relação”

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Sem render há meses, Marcelo não está descartado, mas pode ser utilizado de outras maneiras

Depois de uma lesão diante do Ceará, em 11 de agosto do ano passado, Marcelo não foi mais o mesmo. Até aquele momento, o atacante vinha sendo peça fundamental na reconstrução do Athletico, que ainda juntava cacos e se organizava lentamente sob o comando de Tiago Nunes. Marcelo aparecia como um ponto de desequilíbrio, estando tecnicamente acima da maioria de seus companheiros. Porém, algo se perdeu.

 

Pode estar diretamente relacionado a sua confiança ou a perda de potência física, mas é fato que aquele jogador do momento do retorno ao Athletico está desaparecido. Nem tudo foi exatamente ruim depois de sua lesão, é lógico, e o atacante foi inclusive titular durante quase toda a campanha vitoriosa da Sul-Americana. Entretanto, já naquele momento, Rony, que surgia como opção no segundo tempo, já parecia oferecer mais ao time, enquanto Marcelo vinha sofrendo com bastante desgaste, sendo, geralmente, o primeiro jogador a ser substituído com o decorrer dos jogos. Na atual temporada, Rony não precisou fazer muita força para se tornar titular. Na verdade, nem houve disputa.

 

Contudo, é complicado descartar o atual camisa 10, que é, sim, um jogador interessante quando atua próximo a área, oferecendo um bom nível técnico. Sem confiança e aparentemente longe de seu auge físico, seu rendimento tem beirado o desastre em 2019, porém, com um toque do professor e uma possível realocação em campo, Marcelo pode continuar sendo uma opção forte vinda do banco. 

 

Os melhores anos de sua carreira foram 2012 e 2013. Foi o principal nome ofensivo do Athletico, impressionando principalmente pela sua fisicalidade e quase sempre levando vantagem na velocidade, se tornando, também, cada vez melhor no jogo aéreo. A finalização nunca foi uma especialidade, mas não podemos reclamar. Nessas duas temporadas, Marcelo atuou quase sempre como segundo atacante.

 

Com Ricardo Drubscky, o Athletico geralmente atuou no esquema 4-4-2, de forma mais tradicionalista. O centroavante era Marcão, e Marcelo, longe de ser um ponta, flutuava de forma mais livre nos arredores da referência, conseguindo encontrar espaços principalmente sem a bola para buscar o caminho do gol. No ano seguinte, Vágner Mancini trabalhou com um 4-1-2-1-2, o famoso losango, que também não colocava Marcelo nem como ponta nem como centroavante. Naquela temporada, como todos lembram, Ederson foi o homem-gol, e Marcelo praticamente reprisou seu papel de 2012.

 

Nos anos seguintes, tanto no Athletico quanto em Flamengo e Internacional, Marcelo passou pelas mãos de diversos treinadores que trabalhavam no 4-2-3-1 e o entenderam como um ponta, basicamente por sua velocidade, em um pensamento bem reducionista. Mesmo tendo entregado alguns bons momentos a partir desse ponto de sua carreira, é consenso que ele não voltou a ser o mesmo jogador de antes. Sem habilidade ou capacidade de drible suficiente para centralizar jogadas e se destacar pelos lados, Marcelo acabou tendo que usar e abusar de seu físico, principalmente buscando a linha de fundo para tentar cruzamentos e fechando do lado oposto da jogada para aparecer forte com seu bom jogo aéreo. Mesmo assim, ele passou a perder sua essência.

 

Dito isso, é razoável acreditar que Marcelo não tem sido utilizado da melhor forma. Se a questão física, como ponta, era o que o destacava na comparação com outros jogadores, nem isso podemos ressaltar atualmente. Parece tolo, e até inocente, colocá-lo para jogar pelos lados do campo esperando grande retorno em sua atual fase. E, nesse sentido, Tiago Nunes deve reavaliar opções, até para não frear o desenvolvimento de jogadores como Vitinho. 

 

Atualmente, o Athletico joga no 4-1-4-1, e, considerando toda a argumentação, a única disputa possível de Marcelo seria com Marco Ruben. Visto que o argentino não deve dar brechas e vai rapidamente conquistando a torcida, não é muito crível pensar que ele perderá a titularidade. Então, o que fazer?

 

Visto que o esquema atual vem funcionando muito bem com dois interiores e sem um armador “clássico”, Marcelo poderia passar a ser a peça primordial para o momento em que precisamos mudar o jogo. Nas últimas ocasiões que o Athletico precisou buscar resultado, por exemplo, Tiago tentou Brian Romero e Marcelo entrando pelos lados, e esse definitivamente não parece ser um bom caminho para quem busca a grandeza. Já se a escolha for tirar um dos volantes/médios para colocar Marcelo em uma função mais parecida com a de 2012/13, flutuando por trás de Marco Ruben e ajudando na medida do possível com a circulação das jogadas, o caminho parece melhor.

 

Marcelo nunca se sentiu totalmente a vontade sendo ponta, e o Athletico, mesmo tendo um bom elenco, não consegue enxergar boas alternativas em seu banco no momento em que precisa de resultados, de soluções inesperadas no meio da partida. Testando essa hipótese, provavelmente teríamos uma possibilidade interessante a ser trabalhada. Nosso camisa 10 não pode ser considerado descartado, e Tiago Nunes precisa encontrar novas soluções para não perder um bom jogador e , também,  para desenvolver sua criatividade nas substituições, que ainda é um dos poucos pontos falhos de seu trabalho.

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