O gigante e eterno Lucho González

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Depois de quase 5 anos de Athletico se encerra a trajetória, como atleta, do argentino cuja história se confunde com a glória

1713 dias
4 anos e 7 meses
3 Libertadores disputadas
3 títulos Paranaenses
1 título de Copa do Brasil
1 título de Sulamericana
1 título de Levain Cup
Média de 1 título a cada 9 meses

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Os números acima são apenas um pequeno resumo da história de Luis Óscar Gonzáles no Athletico. Um pequeno resumo mesmo. A história é muito maior, é muito mais rica e é inesquecível.

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Lucho é daqueles personagens que serão lembrados por décadas e que serão contados aos seus e aos meus filhos, netos e bisnetos. Se não esteve em campo como peça principal de todas estas conquistas, esteve sim presente na alma do clube em cada um destes 1713 dias. Tem como uma única pessoa influenciar as entranhas de uma instituição quase centenária?

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Poderíamos passar horas e horas analisando e discutindo qual o tipo de influência que um personagem tão vitorioso quanto Lucho teve dentro de grupos de jogadores jovens jogando em um clube de cultura ambiciosa como o Athletico. Tudo não passará de achismo e um show de subjetividades na tentativa de provar que, com Lucho no CAP, passamos a entender qual o caminho para as grandes conquistas e a sentir o tesão pelo sabor da glória. Sabe qual a nossa sorte? O futebol é impregnado do imponderável, de subjetividades e da mistificação de algo que não se explica racionalmente.

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Na vida os ciclos se encerram em todas as esferas. Nada dura para sempre. A trajetória de Lucho González como atleta do Athletico se encerra nesta quinta-feira, 27 de maio de 2021. Mas se encerra mesmo? A mágica do futebol contraria toda e qualquer lógica sobre dias com 24 horas, campanhas incríveis e grupos geniais que se esfacelam com o passar das temporadas. Os quase 5 anos de Lucho no CAP não irão passar nem irão acabar. Os grandes momentos do argentino com o nosso manto irão para sempre se confundir com o momento mais vitorioso da história do Athletico.

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Quando você se lembrar daquela noite de 12 de dezembro de 2018, enquanto conta uma história épica para seu neto, sua memória lhe estampará a imagem do braço tatuado do hermano levantando nossa primeira taça internacional na história. Você também será levado para aquela manhã de 07 de agosto de 2019 em que você chegou mais tarde no trabalho para ver Lucho levantando taça do outro lado do mundo com a nossa camisa. Irá, também, de repente se transportar para a noite mágica de 11 de setembro de 2019, em Porto Alegre, com Lucho vestindo nossa camisa branca, sorriso de orelha a orelha enquanto falava para a tv do clube palavras que vinham direto do coração, sem filtro, sem ensaio:

“…é muito mais difícil conquistar um título tão importante com este clube, estamos fazendo este clube grande de verdade..”

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Lucho entrou para nossa história de forma definitiva. A subjetividade de sua passagem pelo Athletico jamais será totalmente decifrada. Pode não ter conseguido contribuir tanto dentro de campo em alguns momentos, mas como não parar para ouvir o que tem a dizer um jogador com 29 taças no currículo? Quando um personagem como Luis Óscar González olha nos olhos de cada um dentro de um vestiário, prestes a subir para a disputa de uma final, e fala sobre o prazer de vencer, o sabor de ser campeão, o desfrute de entrar para a história, de realizar algo grande é impossível não acreditar que vai dar sim para ser campeão. É o cara que faz frases batidas como a famosa “final não se joga, final se ganha” fazer todo sentido. É o espírito vencedor. É a influência subjetiva que foge das estatísticas, da técnica e da lógica. É a palavra de um multi campeão vestindo o manto do Athletico Paranaense e viciando ela com o prazer da conquista.

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Só consigo agradecer ao Lucho por ter estado aqui influenciando o meu clube do coração nestes quase 5 anos. É o sabor de vencer que constrói a hegemonia no Paranaense, as 3 participações em Libertadores em 5 anos, as épicas vitórias contra Boca e River, as classificações no Brasileiro sempre na prateleira lá de cima, os 6 títulos e a herança eterna de que sim, é possível o Athletico ganhar o que sonha ganhar. Tenho também certeza que Lucho entendeu e desfrutou o sabor da conquista em um clube que não tem historicamente grande tradição em ser campeão. Ele sabe que aqui estamos aproveitando cada detalhe da trajetória de tentarmos ser um clube gigante. Aqui aproveitamos muito mais, desfrutamos cada lance, cada movimento, cada manifestação, cada narração, cada detalhe. Aqui tudo se torna único. Ser campeão aqui é diferente.

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“Una final no se juega, una final se gana”

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Com Lucho no Athletico disputamos 9 finais ao todo. Destas, levantamos o caneco em 6 delas. É muita coisa. É sim uma mudança cultural para um clube que até pouco tempo atrás sofria com a síndrome do vice campeonato. É sim aquele efeito incomensurável, mas que todo mundo sabe que existe. É sim a presença de alguém cuja história se confunde com a glória.

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Quando voltarmos as arquibancadas Lucho González merece uma homenagem com casa lotada. A Baixada inteira gritando seu nome e o aplaudindo em pé. A história está escrita e assinada por Luis Óscar González.

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¡Muchas gracias, gigante y eterno Lucho!

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