Organizadas se reúnem contra a torcida única: ‘medida preguiçosa’

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Representantes formaram consenso contra a torcida única e dinâmica para o Atletiba do próximo domingo (14) será definida em reunião nesta terça-feira

Na semana do primeiro Atletiba nacional de 2023, membros das torcidas organizadas de Athletico e Coritiba se reuniram com a deputada federal Ana Julia Ribeiro (PT), para uma discussão com o objetivo de traçar soluções para dar fim da torcida única. Na manhã desta terça-feira (9), torcidas definem dinâmica para o Atletiba do próximo domingo (14) com os órgãos de segurança.

Medida limitante do público nos clássicos vigora desde março de 2022 e é considerada “simplista, preguiçosa e inócua” pelas torcidas organizadas Os Fanáticos e Império Alviverde, em nota oficial divulgada depois de debate na manhã desta segunda-feira (8). Além das torcidas e da deputada federal, o vice-presidente do Coritiba, Jair José de Souza, também defendeu o fim da torcida única. Representantes do Athletico e dos órgãos de segurança pública foram convidados, mas não compareceram.

Ofício enviado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) confirma possibilidade da presença de duas torcidas para o Atletiba deste domingo, 18h, na Arena da Baixada, com a condição de haver concordância entre os clubes – que tinham acordo para a disputa dos clássicos com torcida única no Campeonato Paranaense deste ano. A Trétis contatou o Athletico para um posicionamento, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta.

Partes se reuniram na manhã da última seunda-feira, na Assembleia Legislativa | Foto: Divulgação/Alep

Se ainda não oficializada entre os clubes, concordância é fato entre as torcidas organizadas, que acordaram em buscar soluções – juntamente aos órgãos de segurança pública – para que violência cesse tanto dentro como fora dos estádios. Ana Júlia Ribeiro, em pronunciamento na Câmara dos deputados, atesta isso e cobra participação da segurança: “As torcidas estão dispostas a construir medidas de segurança junto aos órgãos responsáveis mas, para isso, precisamos dessa disposição do outro lado.”

Confira posicionamentos da reunião

Ainda segundo a deputada, a violência é problema enraizado na sociedade e “não se manifesta somente no futebol”:

Para resolver o problema precisamos de uma sociedade que não esteja mais pautada na violência, precisamos incluir todos esses atores numa mesma mesa, ter diálogo produtivo, amplo. Precisamos que atos individuais não sejam a punição da coletividade, mas sim a punição daquele que saiu da conformidade. Tenho certeza que estamos próximos de resolver essa situação.

A deputada estadual Ana Julia Ribeiro (PT) mostrou otimismo para a resolução do problema na manhã da última segunda-feira (8)

A nota divulgada nas redes sociais das organizadas organizadas de Athletico e Coritiba ainda compartilha responsabilidade pelos confrontos e confirma desejo de partidas com ambas as torcidas:

Imputar somente às torcidas a responsabilidade pela segurança pública em dias de jogo, como normalmente acontece, é sinônimo de uma política fracassada e de transferência de responsabilidades. Reiteramos nosso posicionamento contrário à política de torcida única ou qualquer outra medida ilegal e inócua que vise coibir o torcedor de acompanhar seu time de coração, apoiando os 90 minutos e exercendo seu direito garantido pelo estatuto do torcedor.

Torcida Organizada Os Fanáticos e Império Alviverde se posicionaram contra a torcida única nos clássicos

Histórico antigo

Há quase dois anos em vigor, torcida única em jogos entre Athletico e Coritiba vem desde 2012. Desde então foram nove jogos nesse modelo que também passaram pelos anos de 2014, 2019 e 2022, no último e maior período de jogos com apenas o público do time mandante.

Fechamento recente das arquibancadas visitantes se deu por confronto entre as duas torcidas no Atletiba da primeira fase do Campeonato Paranaense de 2022. Empate em 0 a 0 viu confusão nas arquibancadas do Couto Pereira, em local de divisão entre torcidas que, naquele momento, contava com pouco policiamento. Clubes cumpriram punição com jogo limitados a mulheres e crianças com menos de 12 anos no início deste ano.

Problema é nacional

O Estado de São Paulo foi o primeiro a começar a aplicar medidas de torcida única em seus clássicos locais, em abril de 2016. Bahia e Goiás foram os próximos a adotarem medidas de proibição de visitantes, em 2017 e 2018 – respectivamente – e depois da flexibilização de medidas restritivas da Covid-19 situação deslanchou.

No ano passado, além do Paraná, Rio Gande do Norte e Paraíba entraram no bolo. No início deste ano, Pernambuco, Alagoas e Distrito Federal também adotaram a torcida única.

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