Para sempre recordar

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O time de 2018 colocou seu nome na história - e essa eu poderei contar.

Muito se fala dos times de 2001, 2004, 2005… de Sicupira, de 1996 com Paulo Rink e Oséias. Talvez eu fale por muitos aqui (da minha geração), mas vou contar a minha parte e visão dessa história. De todos esses anos e do que estamos vivendo hoje.

 

Sim, história, porque o que estamos presenciando é um momento histórico para todo e qualquer atleticano. Histórico assim como todos os times que já citei acima. Times que a gente lembra e gosta de contar que viu jogar, que viu acontecer.

 

Um dia antes do jogo mais importante que tivemos em plena Arena da Baixada, fiquei lendo matérias, análises, números por aí… parei exatamente na idade dos jogadores. E não só isso, na idade dos jogadores que vieram da nossa base. O time que vimos entrar em campo tem cinco titulares que cresceram aqui. Se formaram logo ali, no CT do Caju. O “time de guerra” poderia muito bem ser o time dos “moleques da base”. Pois bem, cito aqui: Renan Lodi (20 anos), Santos (28), Léo Pereira (22), Pablo e Marcelo Cirino (26). Todos com uma idade bem próxima da minha, 24. E onde quero chegar com isso?

 

Em 1996 eu tinha apenas dois anos de idade. Quando escuto o que Oséias fez no alambrado e o que fazia em campo com Paulo Rink, é apenas uma imaginação de uma torcedora que gostaria de ter presenciado. Em 2001, eu com apenas 7 anos, apesar de ter vivido, saído para comemorar o título na traseira da caminhonete do meu pai e ter essa lembrança na cabeça, não sou capaz de descrever e reviver tudo o que fizeram em campo. Lembro, sim, de Alex Mineiro, Kleberson e companhia. Do jogo da final fora de casa, com placar de 1 a 0 com um gol que demorou pra sair, mas tudo sem riqueza de detalhes.

 

Citei o ano de 2004 porque foi quando comecei a acompanhar mais, escrevi em diário, contei cada golzinho do Washington que entrava. Em 2005, lembro de chegarmos na final da Libertadores e entender a grandeza disso. Lembro de ficar com muita raiva do São Paulo, sim. De entender que tudo foi um jogo político, do sentimento ruim de nos afastarem de casa e perder um título que podíamos ter comemorado. Mas ainda assim, são lembranças mais vagas, lembranças de uma menina de 11 anos que estava aprendendo a gostar de futebol. De lá para cá, não lembro de outro time que tenha incendiado e feito nossos corações pulsarem da forma que pulsam hoje.

 

E onde estavam esses jogadores quando tudo aconteceu? Ainda sonhando em ser jogadores. Sonhando em viver momentos como aqueles. Quem dirá em ser parte, ser protagonista de um momento tão memorável. Meninos que, assim como eu, na época só podiam escutar e lembrar de uma coisa ou outra. E também estavam vendo isso lá de dentro. Então, mais do que tudo, consigo imaginar o que é para eles estar passando por esse momento no Atlético. Uma sensação de primeira vez, de quem está vivendo mesmo tudo. Um momento daqueles que nunca vamos esquecer. Momento em que daqui alguns anos estaremos comentando sobre “o time de 2018”, o “time de guerra”, o time campeão da Sul-Americana. Assim como fizemos e fazemos com os times do passado.

 

Então, meus caros, essa será, sim, a primeira vez que vou poder dizer que acompanhei e vi tudo de pertinho, com lembrança de passes, de gols, de defesas de pênaltis, classificações e poder dizer: eu estive lá. Poder sentar e narrar momentos. Contar que estive na maior rua de fogo que já fizemos. Contar das minhas vibrações na arquibancada e até nos jogos fora de casa. Contar que pude estar lá, com meu pai (o grande responsável por esse amor rubro-negro no meu peito), em uma final internacional. Contar que passei mal, achei que fosse enfartar ali, em plena arquibancada, porque se tem uma coisa que não muda é que o Atlético gosta de me ver sofrer.

 

 

Mas, enfim, vou poder dizer que tenho mais do que só algumas lembranças na cabeça. Vou poder dizer que vivi cada momento dessa conquista e ter isso vivo dentro de mim, com todos os detalhes que nos fizeram chegar até aqui. Para que, no futuro, eu também possa dizer que eu vi o Atlético de Lodi, Pablo, Santos, Léo Pereira, Marcelo e todos os outros. Que eu vivi para ver Lucho González levantar a taça, ver Thiago Heleno bater o pênalti que nos fez campeões, ver Pablo sendo artilheiro e, principalmente, ver Tiago Nunes em cinco meses transformar a equipe em uma equipe campeã. Que eu vi o “time de guerra” em campo e acreditei cada segundo. E que eu vi a Arena pulsar, pulsar em 40 mil corações cantando, no fim, com todas as forças dos nossos pulmões: “e no peito ostentando a faixa de campeão!”

 

FOTO: THAYS KLOSS

 

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