Qual o melhor destino para Vitor Roque?

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Atacante atleticano é disputado por poderosos europeus, e junção de fatores como potencial de revenda e espaço pra jogar resulta no melhor cenário

Vitor Roque completou 18 anos na última terça-feira (28) e já pode ser negociado com um clube europeu. O Barcelona é, hoje, o que mais se aproxima da contratação e Roque já atestou, em entrevista ao jornal espanhol Sport, que se sente pronto para jogar no clube Catalão.

Mas a concorrência é pesada. O rival Real Madrid, os ingleses Chelsea, Arsenal e Newcastle e o PSG de Neymar, Messi e Mbappe também tiveram interesse veiculado na contratação do jogador. Clubes de poderosos e com cifras absurdas lutam para assinar com Roque e, afinal, qual o melhor destino para a joia atleticana?

ESPANHA SERIA TETO

As sondagens de Barcelona e Real Madrid, considerados por muitos os maiores clubes do mundo, fazem balançar o jovem jogador, principalmente o azul-grená. Desde muito cedo Vitor Roque é acompanhado pelo Barça e tem em André Cury – seu empresário – um vínculo forte com a direção Culé.

Vitor Roque posou com camiseta assinada por Messi, quando tinha apenas 14 anos. Foto: Divulgação/Instagram

Clube o vê como substituto geracional de Lewandovski e características não são tão diferentes. Ambos têm forte qualidade nas jogadas de pivô, mesmo que Roque tenha menos estatura. O domínio de frente para a área também é bem aproveitado e o trabalho junto do craque que é Lewa tende a potencializar muito o jogo de Vitor – principalmente na finalização das jogadas.

Outro fato é o projeto de renovação do elenco comandado por Xavi. Clube tem jovens estrelas em Pedri, Gavi e Raphinha e ainda conta com Fati e Ferran Torres como exemplos de jogadores de muito potencial.  Trabalhar as joias é objetivo claro desse novo ciclo, contexto excelente para a adaptação de Vitor.

 O Problema fica no lado atleticano da negociação. No Barcelona, Roque atingiria um teto na carreira, dificultaria muito uma possível venda futura. Valor teria que ser bem maior do que os cerca de 25 milhões de euros oferecidos na primeira investida Culé, e teria que englobar 100% dos direitos econômicos. No Real Madrid, situação seria a mesma, e ambos os clubes teriam problemas com o Fair Play Financeiro.

O contexto no time da capital espanhola é muito parecido com o do rival. Time tem um núcleo jovem muito forte, com jogadores como Vinicius Jr, Rodrygo, Camavinga, Tchouaméni, Valverde e, em 2024, Endrick. Contratado por valor na faixa dos 70 milhões de euros, atacante é a ideia madridista do substituto geracional – agora para Benzema. ,

O investimento em Endrick e Vitor Roque ao mesmo tempo lembraria muito a compra de Vinicius e Rodrygo, e a comparação entre os dois seria inevitável. Por isso, um breve resumo dos primeiros 18 primeiros jogos de Endrick e Vitor Roque como profissionais:

  • Vitor Roque:  8 participações em gols em 789 min 98 min para participar.
  • Endrick:  3 participações em 996 min – 332 min para participar.

Num contexto de um Cruzeiro que ainda penava para se encontrar na série B do Campeonato Brasileiro, Roque teve números superiores ao de Endrick, no encaixado Palmeiras, com os mesmos 16 anos. Claro, ambos tem potencial enorme, mas Vitor mostrou ao mesmo momento da carreira algo que Endrick ainda te dificuldades de mostrar.

E NA INGLATERRA?

Arsenal e Newcastle seriam destinos incríveis para Vitor Roque. Atacante teria espaço em cenário competitivo e de muita concentração midiática, pra pensar até em seleção brasileira – na Copa do Mundo de 2022, 11 dos 26 convocados (42%) atuavam na Premier League.

E, para o torcedor do Athletico, ver Bruno Guimarães e Vitor Roque juntos é sonho dos maiores. E time inglês, no final de janeiro, era um dos clubes que observava a situação de Vitor Roque “com mais afinco”, segundo Tiago Marchezini, do canal Três Pontos. Carente na posição – com a irregularidade de Wilson e Isaak – clube daria espaço para o crescimento de Vitor, e tem esquema que possibilita isso. 

Torcida no Newcastle, um dos concorrentes por Vitor Roque. Foto: Divulgação/Newcastle United

Ideia de jogo de Eddie Howe, treinador dos ‘Magpies’, consiste no protagonismo do trio do meio campo – geralmente Bruno, Joelinton e Longstaff – e nas corridas dos jogadores de frente. Almirón, Saint-Maximin e Isaak mais armam do que finalizam, e Roque tem boa potencialidade nisso. Sai bem da área, tem velocidade e é ótimo no drible curto. Papel diferente do que teria no Barcelona, por exemplo.

Filosofia de jogo é difundida na Inglaterra, e o Arsenal, líder da Premier League, também dá essa liberdade de movimentação ao camisa 9. Raphael, Scout e especialista no futebol inglês, conta mais sobre o jogo de Mikel Arteta: “O Arsenal vem muito bem na temporada, mas é algo que vem de uma construção desde que o Arteta chegou, é um cara que sabe lapidar um bom talento.”

Esse papel de atacante tem carências, teoricamente seria de Jesus, lesionado, e quem vem jogando é o Nketiah, da base, que sempre mostrou potencial. O Arsenal é um time que gosta de um atacante de mais movimentação, tanto Jesus como Nketiah se destacam demais também por serem muito agressivos sem a bola, como é Vitor Roque, que também é um jogador que acrescentaria no jogo de pivô, além de ser um cara ainda mais fazedor de gols.

IMEDIATISMO AFETA

Em PSG e Chelsea, a necessidade por resultados imediatos afeta o contexto e pode prejudicar evolução de um jogador tão jovem. Times com médias de idade mais avançadas, não estão em processo de renovação como os outros citados e precisam, mais do que nunca, provar efetivo os investimentos feitos.

Em Paris, Roque teria o grande ponto positivo de jogar com Neymar, Messi e Mbappe, mas isso – ao mesmo tempo que pode favorecer o desenvolvimento, numa ideia de mentoria – tira espaço do atacante. Time também tem o problema de ser difícil imaginar uma venda futura.

No Chelsea, a posição carece de um nome forte mesmo com as chegadas de João Felix e Mudryk para o ataque, mas a necessidade de conquistas e e a instabilidade que vive o clube depois de sua venda nessa temporada cria um contexto ruim para a evolução.

A contratação de Andrey Santos mostra um desejo de renovação que ainda não é tão estruturado quanto o do Barcelona, por exemplo. Roque teria espaço, mas o contexto de um time que ainda procura se reestruturar depois da venda não favorece a evolução. Fair Play financeiro também seria problema. 

Os Newcastle, pela possibilidade de revenda, pelo projeto bem estruturado em com cara definida, e pela oportunidade de crescimento são destino sensacional, assim como o Arsenal. O Barcelona também chega forte com o projeto de renovação, e conta com muito fatores positivos para a contração de Roque.

Me decepcionaria se destino fugisse de algum desses clubes. 

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