Rua de fogo, coração ardendo

Compartilhe

A festa atleticana fez pulsar a Brasílio Itiberê

Antes mesmo de sermos campeões, antes mesmo de vencer, antes mesmo de entrar em campo, a torcida vestiu a camisa e pediu para dividir o peso da responsabilidade. Vou ser sincera, eu nunca tinha acompanhado a recepção dos jogadores. Nunca tinha chegado cedo o suficiente para ver o ônibus entrar no estádio, muito menos ver a torcida aguardar e festejar a equipe. Dizia minha mãe que se eu fosse, corria perigo. Acreditei.

 

Mas esse ano foi diferente. Não só porque eu resolvi ir e voltei três vezes para acompanhar, mas porque o clima entre a torcida e jogadores era fora do normal. Criou-se uma sintonia que, usando as palavras do mestre Tiago Nunes, parece mesmo que a gente se encontrou. Rolou uma atração forte, um relacionamento que se construiu e ficou sério. Tão sério que nosso professor o chamou de casamento.

 

FOTO: ATHLETICO PARANAENSE/INSTAGRAM OFICIAL

 

A “rua de fogo”, uma das festas mais lindas que eu já vi, foi ainda melhor no dia 12 de dezembro. Foi excepcional! Um verdadeiro mar de gente na rua, a fumaça vermelha deixando à mostra o calor da nossa paixão, do nosso sangue e coração pulsando forte. Lá de dentro do ônibus os jogadores já sabiam e também já estavam no clima. Nunca vi tamanha harmonia. O sentimento nunca foi tão claro e palpável como ali.

 

A verdade é que a construção até esse momento também foi linda. Das ruas nos pré-jogos, no corredor no aeroporto, da torcida calando o Maracanã. Não podia ser diferente, a Brasílio Itiberê virou o coração dessa cidade. Vozes, bandeirões, bateria, braços, corações… tudo numa coreografia perfeita. Dizem que é clima de final, mas tinha algo a mais ali. Viver o Atlético, esse Atlético, fez ser mais. Fez a vibração ficar mais potente, os ânimos mais animados, a paixão arrebatadora. Nossa torcida sempre faz e fez tudo por amor, como diz o hino. O sangue forte do legado atleticano, a raça que tanto sempre pedimos estava ali, na nossa pele. E disso eu também nunca vou esquecer.

 

Bem que dizem que o vermelho é uma das cores mais fortes. Não por menos. E é claro que nós só podíamos carregar essa cor e colorir a Baixada com ela. É a cor do sangue, é cor do amor, cor da paixão. E isso, aqui, tem de sobra, mesmo que duvidem.

Veja também