Sobre ser campeã no dia do seu aniversário

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Vamos falar um pouco sobre tudo que vivemos no dia 12 de dezembro de 2018?

Passada a emoção do título, acho que já consigo falar um pouco sobre o que nós, atleticanos, vivemos no dia 12 de dezembro de 2018. Histórico. Inesquecível. Campeã bem na data do meu aniversário de 29 anos. Foi o melhor dia da minha vida, sem exagero algum, e vou contar um pouquinho para vocês.

 

Nunca gostei muito de fazer aniversário, mas dessa vez, fiz até contagem regressiva. E não porque daria o último passo antes dos temidos 30 anos, mas sim por causa do jogo. Do tão sonhado título internacional e do grito de campeão entalado na garganta desde 2005.

 

Comprei passagem pra ir a Curitiba logo depois do jogo de ida contra o Fluminense (alguns disseram que isso zicaria o time, mas a confiança falou mais alto; eu sabia que daria certo). Sofri para comprar ingresso, mas consegui. Eu estaria lá para ver a história sendo escrita bem na minha frente. Para fazer parte da história.

 

Cheguei cedo a Curitiba, num voo com mais dois atleticanos, e já devidamente fardada com a laranjinha (eu gosto, me julguem). Mal conseguia comer tamanha a ansiedade. Nó no estômago o dia inteiro. Aliás, um dia lindo e de muito sol e calor em Curitiba (atípico, como se até o céu estivesse se preparando para o que aconteceria à noite).

 

Sete horas antes do jogo e eu já estava na Baixada. Que clima nos arredores do estádio! Gente fazendo churrasco, bebendo cerveja, cantando e dançando. Muita festa. Uma energia incrível. Todo mundo na mesma sintonia. Estava tudo conspirando a nosso favor. Tinha que dar certo. O tempo passou voando em frente à Baixada; revendo amigos, colocando o papo em dia, tomando aquela gelada para espantar o calor.

 

Hora de entrar no estádio, com antecedência para evitar filas e comprar o copo do jogo (um sufoco, mas deu certo). Nas arquibancadas, o tempo demorou a passar. A ansiedade foi aumentando. É hoje, de hoje não passa, era o único pensamento possível. Time em campo, hino nacional, vontade de chorar. Gol do Pablo, impossível controlar a emoção. Seremos campeões, que loucura. Mas quis o destino que as coisas tivessem contornos surreais de sofrimento.

 

Um segundo tempo muito ruim do Atlético, gol do Junior Barranquilla, que só não virou o jogo por pura incompetência. Naquele momento, um clima de apreensão tomou conta do estádio. Prorrogação, que merda, mais 30 minutos de tensão. Pênalti para o time colombiano. Seria o fim do nosso sonho? Chegamos tão perto, não poderia acabar dessa forma. Não acabou. As vaias da torcida foram tão ensurdecedoras que é como se tivessem empurrado a bola pra fora. Sorte de campeão?

 

E aí chegamos ao capítulo final: a disputa por pênaltis. Mais sofrimento, mais angústia. Minha mãe não viu uma cobrança sequer, se ajoelhou e fechou os olhos. Admiro, porque eu mesma não consigo não olhar. Preciso ver e saber exatamente o que está acontecendo. Uma, duas cobranças do Junior pra fora. Estávamos a um passo. Vai dar certo, tem que dar. Na corrida do Thiago Heleno, com aquela vontade de quem quer decidir logo o jogo, eu já sabia que ninguém mais tiraria aquele título da Baixada. E assim foi!

 

Minha reação foi chorar e me jogar no chão. Aos poucos, a ficha foi caindo. Caramba, a Sul-Americana é nossa mesmo. Um sonho que começou meio como brincadeira em agosto, mas que aconteceu de verdade… e bem no dia do meu aniversário. Quer presente melhor que esse? Nunca vou esquecer o que vivi e senti nesse 12 de dezembro de 2018. Não só eu, como toda a nação rubro-negra. Que dia, meus amigos, que dia!

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