Tiago Nunes comenta título e próximos objetivos em entrevista

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Na Fox Sports, o treinador também falou sobre a vinda ao Athletico, os propósitos na carreira e o futuro profissional

Em colaboração com João Passos

 

Em entrevista à Fox Sports, neste sábado (21) à noite, Tiago Nunes comentou sobre o título da Copa do Brasil, conquistado na última quarta-feira (18), no Beira-Rio, além dos seus objetivos, propósitos e um possível futuro profissional.

 

O treinador se manteve humilde ao dizer que não se vê como um dos maiores técnicos do país, mesmo após a conquista nacional e inédita para o Athletico, e ainda destacou a importância que a continuidade do trabalho teve para as realizações. “Eu sou o melhor técnico nos últimos três dias, isso é muito sazonal. Meu propósito de vida é ser professor, melhorar os caras. Se eu vou conseguir resultado de ganhar, ótimo. Se eu conseguir que os caras continuem comigo depois da passagem, que eu deixei algo para eles, completei meu propósito”, afirmou. “Quando entendi que meu propósito era melhorar as pessoas que estão comigo, eu tirei um peso das costas e os resultados começaram a vir”, continuou.

 

Sobre o vídeo de bastidores do título, o comandante ainda explicou o porquê de pedir aos atletas que deixassem a “zoeira” de lado e agradecessem aqueles que já passaram e fizeram a diferença na formação dos profissionais. “Porque todos os profissionais têm alguém que fez a diferença na vida, esses caras estão torcendo e torceram muito por eles. Essa é a torcida mais genuína”, disse, complementando que a primeira pessoa para quem ligou após a vitória foi para seu próprio pai, contando o fato curioso de que ele não quis assistir ao jogo na Arena e se trancou em casa para assistir sozinho.

 

Fazendo uma reflexão, Tiago Nunes comentou as experiências do passado, da sua passagem por vários clubes e sobre a decisão de vir treinar o rubro-negro, ainda na base. “O que me moveu vir para o Athletico foi a oportunidade de continuidade. Estar em um lugar onde eu possa fazer meu trabalho. Já pulei muito de um clube para o outro”, contou.

 

Antes mesmo do jogo decisivo contra o Internacional, uma declaração do técnico causou bastante alvoroço na torcida após afirmar que poderia “pegar o boné”. Sobre o assunto, Tiago Nunes esclareceu logo ao fim da partida que ficaria, que tinha falado uma “besteira”. E, dessa vez, afirmou que a proposta para que saia tem que ser tentadora e mais do que pela oferta financeira.

 

Para ele, o que o atrairia para outro lugar seria uma perspectiva de um bom projeto, onde pudesse ficar por um bom tempo. “Eu sou muito feliz em Curitiba e, pra mim, tem questões que eu priorizo mais do que salário. A estabilidade familiar é mais importante, minha família está bem instalada na cidade e no Athletico encontrei espaço. Teria que ser algo muito tentador, não só pelo lado financeiro, mas pelo projeto”, afirmou.

 

O treinador ainda admitiu que já foi procurado e que já recebeu ligações com propostas, porém nada que agradasse. “Muita conversa, nada de concreto. Tocou o telefone, mas muito mais do mesmo”, explicou.

 

Já sobre os objetivos do Furacão para o resto do ano, Tiago Nunes disse que continuará a oportunizar os atletas, a ver quem está jogando bem para por em campo. Ainda descreveu o grupo como um “grupo fechado” e que os jogadores querem se ajudar e jogar a Libertadores ano que vem. “Hoje nós estamos nos preparando para ganhar dos times brasileiros na Libertadores, mas temos que nos preparar para ganhar de times como River e Boca fora de casa”, inteirou. Além disso, depois do objetivo da classificação para a competição e o título da Copa do Brasil, espera que o resto do ano seja de fazer um Brasileirão mais tranquilo, jogando leve e com mais vitórias fora de casa.

 

Aproveitando a convocação feita por Tite na sexta-feira (20), o técnico comentou sobre a convocação de Bruno Guimarães para a Seleção Olímpica, elogiando as qualidades do jogador como “dons” e que logo o camisa 39 estará jogando pela equipe principal. “O Bruno tem uma qualidade técnica invejável, a personalidade que esse garoto tem para jogar grandes jogos mesmo com pouca idade me chama a atenção. O céu é o limite pra ele”, completou.

 

O técnico ainda terminou a entrevista agradecendo o carinho dos torcedores e aos antigos treinadores do Athletico, como Geninho e seu Pepe, que ajudaram no crescimento e na consolidação da estrutura do clube. E, ainda, dedicou a conquista aos treinadores que vêm de clubes pequenos, muitas vezes não vistos pela mídia, afirmando que no Brasil os técnicos precisam ser mais criativos ao montar e remontar equipes. “Me senti representando os treinadores que vêm de clubes pequenos, que não são vistos, de estados não conhecidos e que não têm espaço no esporte nacional. E tem muita gente boa e a gente não dá os devidos créditos para profissionais que estão em lugares distintos. Tive a sorte de estar no lugar certo na hora certa. Me sinto representando essas pessoas que trabalham”, finalizou.

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